Muito se fala da importância da comunicação nas empresas. Lá nos anos 80, o Chacrinha já dizia que “quem não se comunica, se trumbica”. E a frase serve para todas as áreas de nossa vida, incluindo, claro, o mundo corporativo. Em tempos de redes sociais e alta competitividade, o tema torna-se ainda mais importante: é preciso comunicar bem, e sempre, para que o cliente tenha nossa empresa e nossos produtos sempre em mente. Certo? Quase.
Na verdade, é certo, mas não o bastante. Muitas empresas já descobriram que ter um projeto de comunicação é fundamental para que ela consiga se posicionar no mercado, deixando claros seus objetivos e mostrando suas intenções aos seus clientes. Mas, também, muitas destas empresas veem seus esforços darem em nada, e por uma questão: o público interno – funcionários, colaboradores e parceiros – devem ser incluídos na equação.
Um dos erros mais comuns cometidos quando se fala em estratégias de comunicação é levar em conta apenas os clientes, deixando de lado aqueles que estão do lado de cá do balcão. O endomarketing, ou marketing interno, é tão fundamental quanto o externo quando se fala em posicionamento de mercado.
Para que as ações funcionem, o primeiro passo é contar com um discurso alinhado, que permita ao seu público interno conhecer a importância do trabalho que executa, reconhecer suas funções e se sentir motivado para superar expectativas. Muitas vezes a missão institucional da companhia não recebe o devido reconhecimento, sendo tratada como só mais uma frase de efeito.
Na verdade, a missão é que deve servir como base para todas as ações da empresa, principalmente as de comunicação. É importante que, no contato diário com a companhia, os clientes percebam que aquela missão se reflete nas atitudes daqueles que o atendem. Essa percepção virá das mensagens ouvidas, da identidade visual e todos os outros pontos de contato entre a empresa e o cliente.
Não se trata apenas de hipóteses: engajar os funcionários e torna-los parte fundamental do contato com os clientes aumenta o desempenho da empresa, traz melhorias para o ambiente de trabalho e, no final do dia, aumenta a receita e o lucro. Uma pesquisa realizada pela consultoria Towers Watson – Estudo Global sobre a Força de Trabalho – mostra os resultados práticos disso.
O estudo foi realizado com mais de 32 mil empregados selecionados a partir de amostras que representam as populações de empregados que trabalham em período integral para grandes e médias organizações, de diversos setores econômicos, em 26 mercados em todo o mundo. A coleta de dados foi conduzida de forma online durante os meses de abril e maio de 2014.
Ao final, a pesquisa mostra que empresas com alto engajamento sustentável apresentaram um crescimento de receita em média 18% maior do que empresas no mesmo setor.
Mais que isso, o chamado alto engajamento sustentável, também é acompanhado por um crescimento de 5% nos lucros brutos e 7% do crescimento nos ativos totais, em comparação a pares do mesmo setor.
O que o estudo chama de engajamento sustentável é, na verdade, fruto da combinação de três pilares:
- Engajamento tradicional – a disposição de os empregados exercerem esforço adicional no trabalho;
- Suporte organizacional – possuir as ferramentas, recursos e apoio (geralmente através de supervisores diretos) para realizar seu trabalho com eficácia;
- Bem-estar – ter um ambiente de trabalho que apoie ativamente o bem-estar físico, emocional e interpessoal;
Não é simples, mas os resultados compensam o esforço. E eles vêm não somente do aumento das vendas, mas da redução das perdas causadas pela troca constante de funcionários, já que um dos fatores chave das empresas engajadas é a retenção de talentos. Não vale a pena pensar mais sobre o assunto?
*Bruno de Paiva é Analista de Marketing e Comunicação da Cleartech
