O setor de software e serviços de tecnologia da informação acaba de ganhar uma política de estímulo ao seu desenvolvimento – uma antiga reinvindicação dessa indústria – com o lançamento do Programa Estratégico de Software e Serviços de Tecnologia da Informação – TI Maior.
As medidas foram detalhadas na manhã de hoje em evento em São Paulo pelo ministro de Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, e pelo o secretário de Políticas de Informática, Virgílio Almeida, e que contou com as presenças de Rubén delgado e Arnaldo Bacha, respectivamente presidente e vice-presidente executivo da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (SOFTEX).
São cinco os pilares que pautam as iniciativas contempladas pelo Programa TI Maior: desenvolvimento econômico e social, competitividade, posicionamento internacional, inovação e empreendedorismo; e produção científica, tecnológica e inovação.
Entre as diversas ações previstas, destaque para a capacitação de jovens para o mercado profissional. Segundo estimativa da segunda edição do estudo “Software e Serviços de TI: A Indústria Brasileira em Perspectiva”, lançado no mês passado pela SOFTEX, se mantidas as condições atuais de crescimento de receita, produtividade e capacidade de contratação de pessoal, haverá um déficit de 280 mil profissionais assalariados exercendo ocupações mais diretamente relacionadas com software e serviços de TI (PROFSSs) em 2020.
De acordo com os dados levantados pelos pesquisadores do Observatório SOFTEX, unidade de estudos e pesquisas da entidade, até o final deste ano 30 mil alunos deverão concluir cursos técnicos profissionalizantes de nível médio e 35 mil cursos de nível superior em áreas essenciais para a indústria.
“É imperativo revermos esse quadro de escassez de mão de obra, pois ele pode vir a ter um custo elevado. Considerando um período de 12 anos (2009 a 2020), avaliamos que a perda da receita líquida possa atingir R$ 115,4 bilhões”, explica Arnaldo Bacha, vice-presidente executivo da SOFTEX. “A nossa expectativa é que com a entrada em vigor desta nova política esse quadro seja de fato revertido”, complementa.
As ações divulgadas pelo MCTI dentro do Programa TI Maior incluem ainda a atração de centros de pesquisa globais, a consolidação de ecossistemas digitais, a certificação do software brasileiro de forma a diferenciá-lo do importado nos processos de compra e a preferência nas compras governamentais para as soluções com tecnologia nacional.
Na visão de Rubén Delgado, presidente da SOFTEX, as medidas são positivas e deverão de uma forma geral acelerar a criação de novas empresas de base tecnológica com foco em software e serviços de valor agregado, área de expertise da indústria nacional.
